Para ler o Semanário e o Diário

Disponível na capa da revista E
Se ainda não tem acesso

para assinantes

Em Destaque

Expresso

Classificados

Siga-nos

A tempo e a desmodo

A tempo e a desmodo

Henrique Raposo

Os adultos saudáveis têm de continuar a trabalhar (na fábrica e no escritório, se necessário)

Contactos do autor

A minha resistência ao estado de emergência não é apenas uma questão constitucional, é uma questão de sobrevivência e de resistência ao medo. Como diz Costa, uma economia de guerra precisa de soldados na frente, isto é, pessoas que continuam a trabalhar fora de casa. Ora, o estado de emergência lança neste momento um sinal contrário de medo e recolhimento a esses soldados.

Parem com a utopia do teletrabalho. Os tais soldados de que fala Costa, mulheres e homens saudáveis e estatisticamente fora do alcance do vírus, têm de continuar a trabalhar nos locais habituais (com as devidas precauções, claro) para que o país não vá ao fundo

Uma fábrica que produz pão ou leite precisa de soldados para trabalhar na fábrica, precisa de camionistas, etc., etc. As linhas de água e eletricidade idem. Mas reparem que não estou a falar apenas dos sectores ditos fundamentais, alimentação, farmácia, infraestruturas. Muitas repartições do Estado e as empresas no geral podem e devem continuar a trabalhar com pessoas no local habitual, porque nem tudo é possível através do teletrabalho. Parem com a utopia do teletrabalho. Os tais soldados de que fala Costa, mulheres e homens saudáveis e estatisticamente fora do alcance do vírus, têm de continuar a trabalhar nos locais habituais (com as devidas precauções, claro) para que o país não vá ao fundo física e mentalmente. Nós temos de ter as empresas e as instituições a funcionar quando regressarmos à normalidade. Corremos o risco de regressar ao vazio se toda a gente ficar em casa.

Tendo as nossas crianças (bazucas do vírus) e os nossos idosos (alvos do vírus) fechados em casa, nós, os soldados, os adultos saudáveis, homens e mulheres, temos de continuar a trabalhar, na rua e nos locais habituais se for necessário, pois caso contrário criaremos algo pior do que a epidemia: uma economia devastada e uma devastação económica, garanto-vos, é a maior produtora de doenças físicas e mentais, até porque desaparece o dinheiro para médicos e hospitais.