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Santos Silva ao Expresso sobre Angola: “Quem não estiver atento ao que se passa não está a perceber nada”

O ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva assina um protocolo em Luanda com o ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas de Abreu, no decurso da visita a Angola, na terça-feira passada. Foto José Sena Goulão/Lusa

O ministro dos Negócios Estrangeiros Santos Silva assina um protocolo em Luanda com o ministro dos Transportes de Angola, Ricardo Viegas de Abreu, no decurso da visita a Angola, na terça-feira passada. Foto José Sena Goulão/Lusa

Ministro dos Negócios Estrangeiros está confiante que as coisas estão a mudar em Angola. No rescaldo da visita do primeiro-ministro a este país, dá o recado: abrem-se enormes oportunidades aos empresários portugueses. Quem não o entender, não está a perceber nada do que se passa

Texto Luísa Meireles

Pode parecer uma bravata de governante, mas não. Augusto Santos Silva, no seu estilo peculiar, “traduz” para os empresários portugueses o que ele ouviu nas declarações do Presidente João Lourenço. E está certo que em Angola há uma mudança em movimento.

Questionado pelo Expresso sobre as pretensões de Angola em relação a Portugal, diz o seguinte: “O Presidente João Lourenço foi claro ao dizer que não só querem fazer comércio com Portugal, mas sobretudo querem investimento português nos sectores produtivos na agricultura e indústria transformadora, por um lado, tendo acrescentado que também querem maior presença de pequenas e médias empresas portuguesas”.

Ora, afirma ainda o ministro dos negócios Estrangeiros: “O agroalimentar é um desses domínios, em que este tipo de empresas são uma realidade reconhecida”.

O facto, contudo, não impede os empresários portugueses de estarem um pouco “escaldados” devido ao problema das dívidas por pagar. Aí, o ministro foi perentório: “Os novos projetos não correm o mesmo risco porque é preciso ter consciência da mudança da politica económica e de ambiente de negócios em Angola”. E sublinha: “Quem não compreender isto não estará apetrechado para aproveitar as novas oportunidades que se abrem em Angola”.

António Costa, acompanhado dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Agricultura, bem como pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, durante um passeio pela Baía de Luanda Foto José Sena Goulão/Lusa

António Costa, acompanhado dos ministros dos Negócios Estrangeiros e da Agricultura, bem como pelo ministro das Relações Exteriores de Angola, durante um passeio pela Baía de Luanda Foto José Sena Goulão/Lusa

Segundo Santos Silva, o atual governo angolano já aprovou uma nova lei do investimento privado e uma lei da concorrência, tendo em execução medidas reconhecidas como essenciais para “a melhoria do ambiente de negócios e da qualidade institucional de uma economia”.

Portanto, rematou: “Quem entender que Angola é um país com um risco cambial elevado e que como tal se manterá, que é um país com um risco político igualmente elevado e que como tal permanecerá, e que só vão para Angola disputar grandes contratos de obras públicas, não está a perceber a mudança que está a ocorrer”.

Ao contrário, disse ainda, “quem estiver atento percebe que há um investimento politico de Angola na abertura da sua economia, melhoria de ambiente de negócio e na diversificação do seu tecido económico. Tudo isso abre enormes possibilidades”.