Opinião
Amanhã
Henrique Monteirohmonteiro@impresa.pt

Chamem-me o que quiserem

Henrique Monteiro

Sangue – o crime brutal

Sei tanto quanto qualquer pessoa normal acerca do negócio do sangue ou do envolvimento de ex-responsáveis da saúde e benefícios concedidos pela empresa Octapharma. Mas se há crime, como suspeita o Ministério Público, este é um crime brutal, desumano e repugnante. Fazer negócio à custa do Serviço Nacional de Saúde com o sangue que pode ditar a vida de uma pessoa não é apenas corrupção, não pode ser apenas considerado simples corrupção.

Não se trata de minorar o crime de corrupção. Mas espero que me acompanhem neste raciocínio simples: uma coisa é alguém meter ao bolso dinheiro destinado – que sei eu? – a transportes, a fornecimento de material de escritório ou mesmo de material bélico, a pontes e caminhos de ferro. Outra bem diferente e bem mais grave, do meu ponto de vista, é roubar ou condicionar o Estado com um produto de necessidade vital (com tudo o que a palavra vital significa), como é o sangue.

O primeiro suspeito é um dirigente do Ministério da Saúde que foi também presidente do INEM. Passou por vários ministros, de vários partidos. Ao contrário do que uma leitura demasiado rápida possa indicar, eu creio que a maioria dos casos de corrupção não são do conhecimento dos principais responsáveis políticos, ou seja, os membros do Governo. É assim, seguramente, em todos os departamentos. A corrupção é demasiadas vezes atirada para cima dos políticos como forma de estes quadros intermédios se escaparem.

O segundo suspeito é um administrador da Octapharma, multinacional que negoceia em produtos derivados do sangue. Este é mais curioso, porque aparece em quase tudo o que é grande processo em Portugal. A saber: o seu nome está ligado à ‘Operação Marquês’, que envolve José Sócrates (espera-se que este não venha dizer que esta é mais uma maquinação contra si). Foi mesmo ele quem deu o célebre emprego a Sócrates na multinacional, em 2012. Aparece ainda nos casos dos Vistos Gold. onde está envolvido o ex-ministro da Administração Interna (no governo de Passos Coelho) Miguel Macedo. e, por último e como se fora pouco, neste processo do sangue. Tendo sido ontem detido na Alemanha, onde se deslocara aparentemente para se demitir de todos os cargos que ocupava na multinacional, tanto em Portugal como na casa-mãe.

Espero que esta investigação não se arraste (como a de Sócrates, por exemplo) ao ponto de já ninguém se entender sobre o que está em causa. As acusações aqui são muito graves – é importante repeti-lo e pressionar os investigadores - porque revelam a monstruosidade de algumas pessoas. Mostram como há quem, em troca do vil metal (e é gente que, aliás, já o tem suficiente) pode descer numa espiral de desumanidade, de falta de vergonha até cair num crime tão odioso que não conseguimos sequer imaginar como se olham ao espelho.

Não pretendo insinuar que o administrador da Octapharma é culpado, tal como acontece com o ex-dirigente do Ministério da Saúde. Não publico os seus nomes porque os presumo como inocentes e porque, caso não sejam, também nem isso merecem. Mas a brutalidade da acusação a que estão sujeitos (sejam eles ou outros) implica que a acusação venha célere e que a Justiça se abata rápida, eficaz e sem contemplações.


Twitter: @Henrique Monteiro

Facebook: Henrique Monteiro

Amanhã

CONCERTO

PEDRO BURMESTER

O pianista português Pedro Burmester foi o escolhido para este sábado encerrar o Ciclo de Piano de 2016 da Casa da Música, no Porto. No concerto serão interpretados temas de Beethoven, Bach e Liszt. O espetáculo começa às 18h e os bilhetes custam de €16,50 a €22.

EXPOSIÇÃO

‘BACKLITE’ DE ALEXANDRE ESTRELA

É inaugurada no sábado no Centro de Artes Visuais, em Coimbra, a exposição Backlite, do português Alexandre Estrela. Na mostra vão estar sete obras, a maioria inéditas, que unem cultura popular, cinema e artes plásticas. Os trabalhos podem ser vistos até ao dia 12 de março, de terça a domingo, das 14h às 19h. A entrada é livre.

DANÇA

A BELA ADORMECIDA

A companhia do Ballet Clássico Russo apresenta no domingo no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha o bailado “A Bela Adormecida”. O espetáculo, baseado no clássico infantil com o mesmo nome de Charles Perrault, tem início às 17h e os bilhetes custam de €15 a €22.

CONCERTO I

ESPETÁCULO DE NATAL NO CCB

O Coro do Teatro Nacional de São Carlos e a Orquestra Sinfónica Portuguesa juntam-se no domingo no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, ao pianista macedónio Simon Trpceski para um concerto de Natal. No espetáculo, conduzido por Pedro Neves, vão ser interpretadas canções de Natal, contos de Charles Perrault, sinfonias de Ravel, Tchaikovski e Shaw. O evento começa às 17h e os ingressos custam de €5 a €20.