Opinião
Ricardo Costarcosta@expresso.impresa.pt
As falsas facilidades do Novo Banco
Nas últimas semanas ficou evidente, numa sequência imparável de adiamentos e falhanços, que a venda Novo Banco é muito mais complicada do que a tentaram pintar. Do número de interessados ao valor, passando pelo calendário ou pela dimensão do prejuízo, tudo era ou mais efémero ou mais complexo do que parecia. A impotência do Banco de Portugal é hoje evidente num processo de grande complexidade e incerteza. As consequências para o sistema financeiro são muito maiores e tanto a bolsa como os analistas já o assimilaram. Para a política só há uma lição a tirar: não há facilidades em processos desta natureza e dimensão.
Hoje é relativamente fácil perceber que, afinal, os motivos que levaram à demissão da equipa liderada por Vítor Bento tinham lógica. Essa equipa defendia que a solução do novo banco passava por uma injeção de capital do Estado, para reestruturar o banco, atravessar a tempestade, encontrar novos acionistas e, mais tarde, vendê-lo. É óbvio que essa solução implicava riscos, que só o tempo validariam ou não. Mas o maior risco que essa solução acarretava era político e foi disso que o governo fugiu a sete pés.
As principais razões da divergência entre a equipa de Vítor Bento e o Ministério das Finanças foram políticas. A resolução era muito mais fácil e indolor no imediato. Atirava tudo para a mão dos bancos e o Estado só ficava exposto através da Caixa
As principais razões da divergência entre a equipa de Vítor Bento e o Ministério das Finanças foram políticas. A resolução era muito mais fácil e indolor no imediato. Atirava tudo para a mão dos bancos e o Estado só ficava exposto através da Caixa ou do IRC futuro, dependente dos lucros bancários. Foi assim que entrámos nesta solução e foi assim que chegámos a este momento em que tudo fica claro: afinal, os concorrentes queriam pagar pouco e estavam cheios de dúvidas sobe os testes futuros do BCE e os riscos jurídicos.
Feitas as contas ou o banco não se vende ou vende por muito menos. O prejuízo cai ao colo dos outros bancos com consequências no seu valor, nos impostos que pagam e no papel central que têm na economia. É difícil concluir que qualquer outro governo teria tomado uma decisão diferente no ano passado, quando tudo escaldava. Mas é fácil perceber que nos contaram um conto de crianças. As facilidades do Novo Banco nunca existiram.
ALTOS
António Guterres
ACNUR
Já não é a primeira ocasião em que o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados aparece neste espaço devido à forma como tenta remar contra a maré de egoísmo e torpor que a União Europeia se transformou, como o caso dos migrantes e refugiados bem demonstram. Agora, fica o registo do seu "choque" e indignação pelo resultado da reunião de ministros, ontem, em que qualquer solução foi novamente adiada.
Ricardo Araújo Pereira
Humorista
O modelo já é algo estafado e repetitivo. O tipo de humor, gags e piadas também já estão longe de inovar. Mas o surgimento de novo programa dos Gato para esmiuçar o sufrágio é seguramente uma notícia bem agradável.
BAIXOS
União Europeia
A forma embaraçosa e infâme como os egoísmos europeus estão a levar melhor na crise dos refugiados é terrível. Cada nova reunião de urgência resulta num novo adiamento.
Carlos Costa
Governador do Banco de Portugal
A cada diz que passa, o buraco em que se tornou a venda do Novo Banco (que era o BES bom, lembram-se?) fica maior e a impotância do homem que lidera o processo desde o início fica mais e mais exposta.
Martim Silva





