Nininho Vaz Maia na Meo Arena: é disto que são feitos os sonhos

Nininho Vaz Maia

Nininho Vaz Maia

“Raízes”, primeiro álbum de Nininho Vaz Maia, atingiu o estatuto de Disco de Platina, fez com que esgotasse os Coliseus de Lisboa e Porto em 2022, e vai levá-lo agora à maior sala de espetáculos do país: a Meo Arena, em Lisboa, sábado e domingo

Paulo André Cecílio

“Sucesso? Essa palavra não se utilizava no bairro”, afirmou Nininho Vaz Maia no programa “Alta Definição”, da SIC, em janeiro. A sua história é semelhante à de tantos outros, forçados a residir na periferia, sob a ameaça constante da pobreza, da marginalidade, da polícia. O seu bairro era o da Picheleira, no Beato, zona de Lisboa que normalmente só tem presença mediática quando o assunto é o tráfico e o consumo de drogas. Sucesso não existia, sonho também não — e o artista percebeu isso quando ele próprio foi forçado a calçar uma pulseira eletrónica, para cumprir pena de prisão domiciliária pelo envolvimento em desacatos numa saída à noite.

Essa mesma pena poderia ter significado uma maior descida ao abismo, mas a luz era forte demais para que Nininho Vaz Maia não se sentisse atraído por ela. Aproveitou a prisão para se focar na sua música, inspirando-se tanto no flamenco como na música pop, e os seus vídeos no YouTube — partilhados por uma prima — acabaram por fazer sucesso. Do streaming às gravações a sério foi um instantinho: em 2021, editou “Raízes”, o seu álbum de estreia, homenagem à comunidade cigana de onde provém. É o álbum de ‘E Agora’, balada romântica com guitarra latina, que soma mais de 18 milhões de escutas no Spotify, e que encontrou um enorme fã em Cristiano Ronaldo, ‘apanhado’ a cantá-la no seu iate. “Raízes” atingiu o estatuto de Disco de Platina, levou-o a esgotar os Coliseus de Lisboa e Porto, e levá-lo-á agora à maior sala de espetáculos do país: a Meo Arena, sábado e domingo. Milhares de pessoas não podem estar equivocadas: Nininho Vaz Maia é uma das grandes vozes da sua geração, um antídoto contra a ciganofobia e a prova de que ‘sucesso’ e ‘sonho’ não são apenas palavras, mas ações.