Costa procura na Coreia do Sul um novo parceiro para negócios e investimentos em Portugal

<span class="creditofoto">ILUSTRAÇÃO PAULO BUCHINHO</span>

ILUSTRAÇÃO PAULO BUCHINHO

António Costa esteve esta semana na Coreia do Sul a desbravar negócios, investimentos, parcerias empresariais, dos semicondutores às energias renováveis. O programa do primeiro-ministro incluiu visitas a empresas como a Hanwha, vencedora de um leilão solar em Portugal, e a Hynixo, um dos maiores fabricantes de semicondutores, e seguiu a lógica da atração de investimento, apresentando Portugal como porta de entrada na UE e países de língua oficial portuguesa, sem esquecer a referência às maiores reservas de lítio da Europa. As empresas lusas também estão atentas ao potencial do país em sectores como calçado, vinho, cutelaria, carne de porco ou pneumáticos, mas a balança comercial apresenta um défice crónico: menos de €200 milhões na exportação contra €918,6 milhões nas importações de automóveis, telemóveis ou televisores, de marcas como Hyundai, LG, Samsung ou Kia.

A lenta marcha dos salários em Portugal

Foi só em 2020, ano de chegada da pandemia, que pela primeira vez metade dos trabalhadores portugueses passou a ganhar acima de mil euros. É a chamada mediana, que corresponde ao ponto — ao salário, neste caso — que divide a amostra em duas partes iguais. Em 2019, a mediana do salário ainda era de 972 euros. Os números divulgados esta semana pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) foram calculados a partir de informação da Autoridade Tributária. A mediana em 2021, o último ano disponível, foi de 1050 euros mensais. Os dados mostram que não só metade dos trabalhadores portugueses não recebe sequer 1050 euros mensais, como cerca de dois terços não vão além de 1691 euros brutos por mês. O percentil 95, que representa o nível salarial de quem está acima de 95% dos trabalhadores, é de 3592 euros. São 3,5 vezes a mediana. O documento do INE não detalha os percentis acima de 95, mas, a julgar por aquilo que se conhece de outros países, é natural que o fosso entre os mais ricos — quem está nos 1% ou nos 0,1% — e os mais pobres tenha aumentado. Por exemplo, nas empresas do PSI o fosso salarial agravou-se nos últimos anos.

TRANSIÇÃO ENERGÉTICA NAS MÃOS DA CHINA?

O abandono dos combustíveis fósseis e a transição para a chamada “economia verde” está a conduzir a uma corrida a matérias-primas consideradas críticas para as tecnologias associadas às energias renováveis. Serão precisos mais capital e investigação para explorar, extrair e processar recursos geológicos que hoje em dia estão concentrados em meia dúzia de países. A China, por exemplo, produz seis das dez principais matérias-primas fundamentais.

1%

Retroativos da Função Pública sem retenção

Os valores retroativos da atualização salarial adicional de 1% que o Governo começa a pagar em maio aos funcionários públicos não serão sujeitos a retenção na fonte em sede de IRS. A garantia foi dada aos sindicatos da Administração Pública (AP) pela secretária de Estado da AP, Inês Ramires, na reunião que marcou o fim das negociações salariais para 2023. O Governo não acolheu a proposta do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) para que a atualização chegasse a 1,5%, mas Inês Ramires comunicou aos sindicatos que o Ministério da Presidência, que tutela a AP, está a trabalhar com o Ministério das Finanças “para que haja uma atualização das tabelas de retenção de IRS para não haver perda de liquidez relativamente ao aumento salarial”.

Novo adiamento no caso BES, que já roça as prescrições

A prescrição já é uma ameaça aos crimes imputados no grande processo do Ministério Público sobre o Universo Espírito Santo (começa a chegar em 2024), mas isso não impede que tudo tenha sido adiado mais uma vez. O debate instrutório — a última hipótese de as defesas de Ricardo Salgado e dos mais de 25 arguidos evitarem o julgamento — devia ter acontecido esta semana, mas foi agora adiado para a semana de 2 a 5 de maio. A falta de notificação de alguns arguidos justificou a decisão do juiz, Pedro Santos Correia. Salgado tenta evitar o julgamento pelos 65 crimes de que foi acusado, desde a associação criminosa à corrupção. Os grandes nomes das finanças do BES e do Grupo Espírito Santo, como Amílcar Morais Pires e Isabel Almeida, são outros protagonistas deste processo, que averigua a falsificação de contas e operações que prejudicaram o banco em €11,8 mil milhões.

9,1%

Custos de construção abrandam

Após 13 meses a crescer a dois dígitos, o índice de custos de construção de habitação começou a abrandar em fevereiro ao crescer 9,1% em termos homólogos. Valor que segundo o INE representa menos dois pontos percentuais face a janeiro. O preço dos materiais e o custo da mão de obra registaram, respetivamente, variações homólogas de 9,3%, contra 10,2% em janeiro, e de 8,8%, contra 12,2% em janeiro. O cimento subiu 40% em termos homólogos, salientou o INE.

Tupperware em queda livre na bolsa e à beira da falência

<span class="creditofoto">FOTO Scott Olson/Getty Images</span>

FOTO Scott Olson/Getty Images

Tem quase 80 anos e uma longa tradição nas casas dos portugueses. Caixas de plástico que facilitam o armazenamento cuja marca é, como outras, sinónimo do próprio objeto que representa. Mas a empresa americana Tupperware enfrenta grandes dificuldades e está neste momento à beira da falência. As ações cotadas na bolsa de Nova Iorque — a New York Stock Exchange — caíram 50% na segunda-feira e, apesar da ligeira recuperação, ainda estavam 46% abaixo da cotação da semana passada na quarta-feira ao final dia, quando fechou esta edição da Economia. Tudo se precipitou depois da empresa ter feito um alerta ao mercado sobre as dificuldades em manter o negócio numa altura em que o modelo tradicional da marca parece deslocado da realidade atual. E onde a concorrência é bastante feroz. São conhecidas as festas Tupperware, mas neste caso não é bem uma festa.

A semana em 2 minutos

BES A fase de instrução do processo do Banco Espírito Santo, com 27 arguidos (incluindo Ricardo Salgado) deveria ter começado esta terça-feira, mas o arranque foi adiado para 2 de maio, devido à falta de notificação para alguns arguidos comparecerem no Tribunal de Monsanto, em Lisboa.

4

foi o número de ofertas vinculativas recebidas pela Parpública para a compra da participação de 71,73% que o Estado português tem na Efacec. Apresentaram propostas os fundos Mutares, Oaktree e Oxy Capital e ainda o consórcio Visabeira-Sodecia. Fora da corrida ficou a Mota-Engil, que tinha manifestado o interesse no processo, mas não entregou uma oferta vinculativa

FMI O diretor do departamento de finanças públicas do Fundo Monetário Internacional, Vítor Gaspar, declarou que “a política orçamental pode e deve apoiar a política monetária no sentido de fazer descer a inflação para o objetivo”. Posição assumida na apresentação do Fiscal Monitor, na mesma semana em que o FMI atualizou a sua projeção de crescimento da economia portuguesa para 1%, abaixo das previsões do Governo e do Banco de Portugal.

6,4

milhões de euros foi quanto a Growth Partners Capital investiu na CampI&D, do grupo Campicarn, no primeiro investimento com verbas do programa Consolidar, do Banco Português de Fomento

CPI O presidente do conselho de administração da TAP, Manuel Beja, foi ouvido na comissão parlamentar de inquérito sobre a companhia aérea, afirmando que o Governo “perdeu o norte”. Revelou também que a TAP foi alvo de uma contraordenação da CMVM. O novo presidente, Luís Rodrigues, deve assumir o cargo hoje.

GROUNDFORCE Também esta semana, a TAP anunciou um acordo final para a Groundforce, que terá um novo investidor, a Menzies Aviation, com a companhia aérea portuguesa a manter-se acionista, mas minoritária.

EDP A assembleia de acionistas da elétrica aprovou esta semana a nomeação de Pedro Vasconcelos como administrador executivo, preenchendo o lugar que ficou vago com a saída de Miguel Setas.

ESTADO O Governo deu como fechadas as negociações com os sindicatos da função pública, prevendo um aumento salarial extra de 1%, retroativo a janeiro e a pagar em maio.