“Confusion de Confusiones”
João Duque
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“Confusion de Confusiones”
João Duque
Apanhados
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Como está Dona Flausina? Daqui fala a sua gerente de conta do seu Banco.
— Muito bem, obrigada, Dona Branca. Como vai a senhora? Está constipada? — perguntou a Flausina. — Parece que tem a voz um pouco mais rouca...
— Estou sim, é a fruta da época. Mas olhe, estou a ligar-lhe para podermos fazer uma operação e por isso vou pedir-lhe que entre na sua conta através do computador. É muito importante fazê-lo para evitar um débito de comissões que não lhe dão nada e nós não queremos que fique penalizada. Só tem que estar ao pé do seu computador...
— Mas eu não percebo nada disso de contas e muito menos de computadores. Quem trata disso é o meu Flausino. Não pode ligar logo ao serão?
— Não posso Dona Flausina. Além disso, hoje é o último dia e a operação tem de ser feita já. Se tiver aí os códigos eu faço-lhe isso. Não me custa nada e fica com o problema resolvido.
— Um momento, que eu vou buscar a agenda e já lhe digo.
O esquema pegou. A Dona Branca é uma fraudulenta a tentar obter os códigos de acesso e de movimentação da conta bancária de uma senhora que, acreditando que está a falar com a gestora de conta, transmite os códigos de acesso. Todos! E vai continuar até que a operação é realizada e o dinheiro voa da conta da incauta Flausina para a fraudulenta Dona Branca.
Os esquemas para piratear e obter dinheiro através da banca móvel estão a crescer significativamente e as pessoas caem cada vez mais nas esparrelas
Os esquemas para piratear e obter dinheiro através da banca móvel estão a crescer significativamente e as pessoas caem cada vez mais nas esparrelas. Note: os profissionais do golpe são muito bons “profissionais” e têm capacidades que nos desarmam. Por isso lhe rogo: não atenda chamadas mesmo que digam que é do seu banco. E se quer um conselho, peça o nome, arranje uma desculpa que não lhe permite continuar a conversa, desligue e ligue o leitor, de seguida, para o balcão, de modo a certificar-se de que está a falar realmente com a pessoa que lhe ligou. Não facilite e NUNCA, mas mesmo NUNCA, divulgue os seus códigos pessoais por telefone. Se as paredes têm ouvidos...
Uma empresa de tecnologia de informação cheia de gente jovem fez o teste interno: enviou um e-mail com um link malicioso para testar se os seus colaboradores abriam esses e-mails suspeitos e se clicavam sobre os links. E não é que constatou que mais de 25% dos colaboradores caíram na esparrela? Foi o suficiente para os deixar de cabelos em pé! Até os profissionais caem em esquemas bem montados!
Não se esqueça. Além de não conduzir se beber, não revele códigos ao telefone nem abra e-mails suspeitos se tiver contas bancárias... Feliz Natal!