PESSOAS
Paulo Carapuça 53 anos, presidente da Comissão Executiva da Green Jacket Partners
A sustentabilidade é a chave no imobiliário
Texto Ana Sofia Santos Foto Nuno Botelho
Um dos grandes desafios do sector imobiliário é o custo de produção, “que tem sofrido impactos” sérios, o que introduz imprevisibilidade no negócio, sinaliza Paulo Carapuça, presidente da Comissão Executiva (CEO) da startup Green Jacket Partners, que atua na área do investimento imobiliário.
Na opinião do ex-quadro do grupo Casais, é “indispensável” integrar elementos pré-fabricados na construção, incluir “mais produção off-site” (partes das obras são feitas noutros locais, de forma antecipada e em ambiente controlado) e recorrer a produtos e metodologias que mitiguem os riscos do processo construtivo e que promovam a sustentabilidade.
Com sede em Portugal, a Green Jacket Partners arrancou em 2021, no Algarve, e pretende alargar a sua atuação a Lisboa, “não excluindo outras regiões” e os mercados externos. A estratégia passa pela diferenciação via sustentabilidade e aposta numa construção que contribua para “a neutralidade carbónica”.
“Tem de se continuar a apoiar as regiões mais periféricas e isoladas, para se criarem condições de desenvolvimento”
Tem sob gestão €350 milhões de ativos, com dois grandes projetos no Algarve, na Quinta do Lago, fruto de uma parceria com o fundo SPX, e ambiciona “mais de €600 milhões de vendas nos próximos anos”.
Paulo Carapuça considera que o mercado imobiliário em Portugal vive um período de “consolidação” e faz notar que “nos últimos tempos” se tem verificado “uma alteração da origem dos investidores finais e uma valorização do respetivo perfil, quer do ponto de vista económico, quer sociocultural”.
Para o gestor, a sustentabilidade chegou para ficar ao sector imobiliário em Portugal, e essa aposta contribui para atrair capital internacional e interno. Sobre se a Grande Lisboa, o Grande Porto e o Algarve são realidades internacionais e distintas dos demais territórios, Paulo Carapuça diz que sim, mas “em parte”. Pois Lisboa e Algarve são “zonas consolidadas no mercado internacional [...] e no seguimento destas vem o Porto, que tem vindo a afirmar-se de forma visível”. Há, adianta, outras localidades emergentes com “forte visibilidade”, como Troia, Comporta e Melides, “sem esquecer os Açores, já incluídos no radar do investimento externo, e a Madeira, que tenta recuperar o seu posicionamento”.
Estas assimetrias territoriais não são um exclusivo português, esclarece, sinalizando que se “tem de continuar a apoiar a promoção das regiões mais periféricas e isoladas, para que se criem condições de desenvolvimento adequadas”.
Formação
Licenciado pelo Instituto de Estudos Superiores de Contabilidade, fez um Leadership AMP Degree na Kellogg (Northwestern University) e um MBA na Escola de Negócios (Universidade Autónoma de Lisboa)
Missão
“Manter uma visão holística do negócio, materializar um crescimento sustentado da estrutura organizacional suportado nas pessoas, competências e capacitação”
Lema
“Liderar com base no exemplo, motivando as equipas, procurando soluções, respeitando pessoas, criando as condições para que acreditem e se mobilizem em torno dos objetivos”
Percurso
Na década de 90 foi presidente da Movijovem, membro do Conselho de Administração da EYCA — European Youth Card Association e representante de Portugal no Comité da Hostelling International. Entre 2004 e 2008 assumiu diversos cargos de alta direção nas áreas de risco de investimento, investimento e desenvolvimento imobiliário e turístico e estudos e projetos. No início de 2008 assumiu o cargo de administrador do grupo Casais, enquanto responsável pelas áreas comercial, concessões e participações, bem como por parte da área internacional
Últimas leituras
“From Values To Action”, de Harry Kraemer Jr., e “Legado”, de James Kerr
Hobbies
Ler sobre pessoas e países, viajar com a família e construir Legos