BARÓMETRO

PRR sem impacto em 66% das empresas

Duas em cada três empresas do Barómetro Kaizen não esperam crescer mais por causa do Plano de Recuperação e Resiliência

Sónia M. Lourenço

O Governo aponta baterias ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) como instrumento-chave na retoma da economia portuguesa, mas duas em cada três médias e grandes empresas do país não esperam impacto no seu negócio por causa do PRR. Este é um dos resultados do Barómetro Kaizen, que auscultou 220 presidentes executivos e administradores de empresas de média e grande dimensão em Portugal, sobretudo no sector privado (96%), mas também no público (4%), em diversas áreas de atividade.

A edição de novembro contou com a participação do Expresso, que questionou as empresas auscultadas se esperam crescer mais por causa do PRR. A resposta de 66% dos inquiridos — cuja faturação, em conjunto, representa 35% do Produto Interno Bruto (PIB) português e onde se incluem, por exemplo, Amorim, Sonae, CTT, Bosch, Galp, Grupo Altri, Colep, Grupo RAR, José de Mello Saúde, Luís Simões e Jerónimo Martins — foi “não”. Ao mesmo tempo, 60% dos gestores indicam que o PRR não afeta a estratégia da empresa. “O foco dos fundos é o investimento público e, claramente, o barómetro sinaliza que a sua distribuição devia privilegiar mais o investimento privado”, vinca António Costa, sócio sénior do Kaizen Institute Western Europe.

Confiança resiste à crise política

Os constrangimentos nas cadeias de abastecimento e nas matérias-primas estão a afetar 90% das empresas inquiridas. Ainda assim, a grande maioria — três em cada quatro — espera cumprir (40%) ou mesmo ultrapassar (36%) os objetivos estabelecidos para 2021. Ao mesmo tempo, a confiança na economia nacional reforçou-se face ao último barómetro, em março deste ano, atingindo 11,1 pontos numa escala de zero a 20, e 80% dos gestores auscultados acreditam que a economia portuguesa vai continuar a crescer nos próximos meses, ainda que 66% antecipem algum abrandamento, enquanto 14% apontem para uma aceleração.

“Sinaliza a ideia de que o chumbo do Orçamento do Estado para 2022 (OE-2022) não originou uma quebra de confiança e a crise política não tem impacto na economia, pelo menos no imediato. Os negócios continuam a fazer-se e a atividade económica a decorrer”, salienta António Costa, lembrando que a auscultação do painel decorreu até 8 de novembro. Ou seja, os gestores responderam com conhecimento do chumbo do OE-2022, da dissolução da Assembleia da República e da realização de eleições antecipadas.