10 perguntas a...
MC SOMSEN
“DIFICILMENTE UM FACEBOOKER CONSEGUIRÁ SER ESPONTÂNEO”

Inês Maria Meneses
© Expresso Impresa Publishing S.A.
10 perguntas a...
MC SOMSEN
“DIFICILMENTE UM FACEBOOKER CONSEGUIRÁ SER ESPONTÂNEO”
Inês Maria Meneses
Foto Tiago Miranda
Tiago Miranda
1. As redes sociais são uma espécie de Red Light District das nossas vidas?
O Facebook é um daqueles restaurantes que já tiveram melhores dias e ao qual só regresso porque ainda cá estão os meus amigos. E porque a gerência ainda aceita o meu crédito.
2. O que mudou na sua vida?
Nada mudou. Na minha rede social, ainda sou eu que escolho os pratos do dia e reservo o direito de admissão. As pessoas vão chegando por razões que desconheço, mas acredito que seja porque este estabelecimento raramente fecha para descanso do pessoal.
3. Um Facebooker deixa que a premeditação tome conta da espontaneidade?
Se imaginarmos que tudo na vida é calculado, e tudo o que escrevemos é premeditado, dificilmente um facebooker conseguirá ser espontâneo. Mas isso não significa que ele não possa ser livre. Talvez a liberdade seja o tal dispositivo que leve a espontaneidade a um dia suplantar o calculismo.
4. A popularidade medida a likes terá os dias contados?
Pelo contrário, o futuro é aquele episódio de “Black Mirror” no qual o teu sucesso pessoal e profissional será medido por um rating social determinado por milhares de Moody’s individuais, desde o motorista da Uber ao troll que corrige os erros nos teus posts (mas não nos dele).
Facebooker seguido por milhares. Foi jornalista de “O Independente”, crítico de cinema. Fez o “Resumo de 2017 para Todos” em livro. Um dos responsáveis pela marca Gin Lovers
5. Como pode evoluir o fenómeno das Fake News?
Como evoluiu a propaganda: as fake news vão aproveitar-se da anestesia das pessoas, fazendo-as crer que estão bem informadas sobre o tema polémico da semana ao ponto de se tornarem tão cínicas e pessimistas que depois já não vejam qualquer razão para votar nas próximas eleições. Portanto, o que me assusta nas fake news é elas criarem ainda mais abstencionismo.
6. Algum (mau) jornalismo tem contribuído para reforçar o populismo?
Isso será sempre expectável numa sociedade livre e democrática. O populismo não é o problema, o problema é se não houver uma alternativa que contraponha as ideias populistas. O problema é o populismo ser dominador e denominador comum. Que neste país tenderá a ser.
7. Como seria “O Independente” de hoje?
Seria muito pouco independente, creio eu.
8. A paternidade definiu-lhe os limites do humor?
A única coisa que pode definir os limites do humor são os limites da coragem ou da graça de cada um. Como pai, apenas sinto que me cabe a responsabilidade de ensinar à minha filha que o humor será sempre o único idioma que nos vai unir e salvar.
9. Quem é que o faz rir?
O Insónias em Carvão. O Hugo Van Der Ding. A Cátia “One Woman Show” Domingues e a @sophiaqualquer no Twitter. O RAP, o Bruno Nogueira, o Nuno Lopes. Nenhum deles tanto como o Trump.
10. Quantos grãos de pimenta põe no Gin?
No gin, cada vez menos. Na vida, cada vez mais. Já não imagino a vida sem qualquer tipo de aditivos, sejam eles naturais, sintéticos ou virtuais.
Por Inês Maria Meneses