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Votação encerrou crise política. Costa satisfeito com a “vitória da responsabilidade”

Foi uma votação tensa, mas que acabou por confirmar o chumbo da lei que deu origem à ameaça de demissão do Governo <span class="creditofoto">Foto Nuno Botelho</span>

Foi uma votação tensa, mas que acabou por confirmar o chumbo da lei que deu origem à ameaça de demissão do Governo Foto Nuno Botelho

Sem surpresa, PSD, PS e CDS juntaram-se para chumbar a lei sobre a reposição do tempo de serviço dos professores, que deu origem à ameaça de demissão do Governo. Agora a paz, como desejou o primeiro-ministro? Os professores não vão desistir, avisou Mário Nogueira

Texto Mafalda Ganhão

A crise foi, afinal, uma espécie de intervalo. Oito dias de ânimos exaltados, à esquerda e à direita, mas que esta sexta-feira se manifestaram uma última vez, em sede parlamentar, para encerrar (pelo menos por agora) o capítulo da recuperação do tempo de serviço dos professores. No hemiciclo os deputados votaram e, sem surpresa, PSD, PS e CDS juntaram-se para chumbar a lei que deu origem à ameaça de demissão do Governo, com o Bloco de Esquerda e o PCP a votarem contra as salvaguardas orçamentais que a direita tentou recuperar nesta votação final.

Duas horas depois, o primeiro-ministro falou aos jornalistas, para saudar o resultado. António Costa usou a expressão “vitória da responsabilidade”, já que esta é a decisão - disse - que permite “não pôr em risco” o que se tem “conseguido” ao longo da legislatura.

Para Costa, o chumbo da lei tem ainda o mérito de assegurar uma “equidade com os restantes corpos especiais”; a “estabilidade do país” e “manter a credibilidade internacional”.

“É uma questão que felizmente está ultrapassada”, concluiu o primeiro-ministro, que não deixou de lamentar a “intransigência das centrais sindicais”, por não recuarem e insistirem na recuperação dos 9 anos 4 meses e 2 dias.

“Portugueses perplexos”, diz Costa

A outra crítica - em forma de ataque - reservou-a para o PSD e para o CDS, partidos que acusou de terem deixado “os portugueses perplexos” com a votação que fizeram na comissão da Educação.

“E os portugueses ficaram ainda mais perplexos com as justificações dadas ao longo da semana. O Governo não só não fez teatro, como falou a verdade”, acrescentou António Costa. “A realidade triste a que assistimos na última semana foi uma enorme cambalhota: aqueles que foram os campeões da austeridade quiseram ser os campeões da generosidade”, criticou.

Os partidos da direita também foram, aliás, o alvo das críticas mais duras das bancadas parlamentares mais à esquerda, que os acusaram de “traição” aos professores, por votarem contra a recuperação do tempo de serviço.

Quem não se manifestou foram os professores que assistiam à votação nas galerias do Parlamento, entre os quais se encontrava Mário Nogueira, líder da Fenprof. Preferiram abandonar o hemiciclo logo após a votação, em silêncio.

Mas Mário Nogueira acabaria por falar depois, à saída da Assembleia da República, para dizer que será candidato a continuar à frente da federação de professores.

“O PS, o Governo e António Costa ajudaram-me a tomar uma decisão. Irei ser secretário-geral da Fenprof se o congresso assim decidir em 15 de junho, porque o Governo, o PS e António Costa merecem que a luta continue e eu estou disponível para a liderar”, disse Nogueira aos jornalistas.

Um sinal de que talvez não seja ainda o tempo de “que a paz possa regressar à nossa escola”, como desejou António Costa na conferência de imprensa. E se vier nova guerra, talvez o primeiro-ministro mantenha presente a declaração com que o líder da bancada parlamentar do PSD respondeu às críticas feitas esta sexta-feira pelo PCP e BE. Os sociais-democratas “não suportam o PS”, disse Fernando Negrão.