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PSD

Conselho Nacional decide futuro de Rio por voto secreto

<span class="creditofoto">Foto Lucília Monteiro</span>

Foto Lucília Monteiro

Conselho Nacional será na quinta-feira, no Porto, às 17h. Montenegro critica a opção da direção, que recusou diretas: “Lamento que Rui Rio não tenha tido a coragem e tenha tido medo de ouvir a voz dos militantes”. O líder da distrital de Lisboa, um dos críticos, diz que a marcação para o meio da tarde é algo “no mínimo estranho”

Texto Filipe Santos Costa

O Conselho Nacional (CN) pedido por Rui Rio, para apresentar uma moção de confiança à direção do PSD, deverá votar o documento por voto secreto, quer a direção social-democrata queira ou não. Ao que o Expresso apurou, caso a direção ou Paulo Mota Pinto - presidente da mesa do CN e apoiante de Rio - não proponham o voto secreto, os críticos deverão avançar com um requerimento nesse sentido. O objetivo é dar maior liberdade aos conselheiros nacionais, para que não se sintam condicionados no momento de decidir o futuro de Rui Rio.

O regulamento do Conselho Nacional diz que a regra das votações neste órgão é o braço no ar, mas acrescenta que “far-se-ão por escrutínio secreto: as eleições; as deliberações sobre a situação de qualquer membro do Conselho Nacional; as deliberações em que tal seja solicitado, a requerimento de pelo menos um décimo dos membros do Conselho Nacional presentes”. Ou seja, numa reunião que terá, no máximo, 136 presenças, bastam 14 conselheiros requererem o voto secreto para que assim aconteça. Esse requerimento não é sujeito a votação.

<span class="creditofoto">Foto d.r.</span>

Foto d.r.

Contactado pelo Expresso esta segunda-feira, Pedro Pinto, presidente da distrital de Lisboa do PSD e apoiante de Luís Montenegro, não abre o jogo sobre a forma de votação - coloca, antes, perguntas. Quer saber qual a leitura de Mota Pinto sobre esta votação em particular. Na opinião de Pedro Pinto, “um partido que elegeu uma Comissão Política Nacional por voto secreto [essa eleição é feita em urna durante o congresso] obviamente só a pode destituir por voto secreto”. O contrário, diz o responsável distrital de Lisboa, seria o PSD seguir o exemplo dos “partidos marxistas radicais”.

Questionado pelo Expresso, Paulo Mota Pinto recusou-se a revelar o que tenciona fazer. “Não me pronuncio sobre nenhum assunto relativo à condução dois trabalhos a não ser perante o Conselho Nacional já reunido.”

“No mínimo é de bradar aos céus”

O Conselho Nacional extraordinário foi a resposta de Rui Rio ao desafio de Luís Montenegro para que aceitasse disputar a liderança do partido, marcando eleições diretas já. Ao avançar com uma moção de confiança, Rio poupou os críticos à apresentação de uma moção de censura, que já estava em andamento, e para a qual já tinham as assinaturas necessárias.

<span class="creditofoto">Foto Nuno Botelho</span>

Foto Nuno Botelho

No domingo, sete responsáveis distritais pró-Montenegro reuniram-se em Lisboa, e consideraram que já não fazia sentido avançar com a moção de censura. O grupo incluía os líderes distritais de Lisboa, Viseu, Coimbra, Santarém, Setúbal, Castelo Branco, e o vice-presidente da distrital do Algarve - um grupo maior do que aquele com que se iniciaram estas movimentações.

Para haver eleições para a liderança, os conselheiros terão de chumbar a moção de confiança. O futuro imediato de Rio será decidido na quinta-feira, no Porto, num Conselho Nacional marcado para as cinco da tarde.

"Acho muito bem a marcação já para quinta-feira, porque permite antecipar o tempo para marcação das diretas e do congresso", disse Pedro Pinto ao Expresso, antecipando a derrota da moção de confiança apresentada por Rio. O que lhe parece mal é a hora do encontro. "Cinco da tarde é uma hora em que toda a gente ainda está a trabalhar. Os deputados ainda estão no Plenário da Assembleia da República, os autarcas ainda estão nas suas autarquias, os trabalhadores ainda estão nos seus empregos, e convém não esquecer que há conselheiros nacionais que vêm das Regiões Autónomas e do estrangeiro", sublinha.

"Para quem fala tanto em golpe, marcar este Conselho Nacional para as cinco da tarde é de bradar aos céus. Parece que não querem que estejam lá todos os conselheiros nacionais", diz o dirigente distrital e deputado eleito por Lisboa. As reuniões do CN acontecem por regra à noite, a não ser quando se realizam ao fim de semana. Por isso, para o líder da segunda maior distrital do PSD, marcar o arranque do CN para tão cedo "é no mínimo estranho".

“Não é a minha praia”

Em todo o caso, Luís Montenegro já baixou as expetativas para a votação de quinta-feira. Ao início da tarde de hoje, após uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém, o adversário de Rio criticou a decisão do líder do PSD. “Lamento que Rui Rio não tenha tido a coragem e tenha tido medo de ouvir a voz dos militantes. Uma verdadeira clarificação só tem efeito pleno com a pronúncia de todos os militantes", disse aos jornalistas no Palácio de Belém.

Questionado sobre o que espera da votação da moção de confiança, Montenegro distanciou-se desse procedimento.

"A minha praia não é o Conselho Nacional do PSD. Nunca esteve nos meus propósitos apresentar uma moção de censura. A responsabilidade de ouvir o Conselho Nacional é uma responsabilidade que deve ser assacada única e exclusivamente a Rui Rio. A minha opção sempre foi ouvir todos os militantes”, afirmou.

Na declaração em que anunciou a disponibilidade para disputar a presidência do PSD, Montenegro pôs como única via a disputa de eleições diretas o mais depressa possível, sem admitir qualquer alternativa. Mas, em simultâneo, o plano B já estava em marcha, com um conjunto de distritais pró-Montenegro a preparar uma moção de censura.