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“Um país rico não pode ter trabalhadores pobres?” Portugal tem quase meio milhão deles

Ter trabalho não chega para não cair na pobreza. Em Portugal, quase 10% dos trabalhadores não chegam a ganhar 468 euros por mês. <span class="creditofoto">Foto Rui Duarte Silva</span>

Ter trabalho não chega para não cair na pobreza. Em Portugal, quase 10% dos trabalhadores não chegam a ganhar 468 euros por mês. Foto Rui Duarte Silva

O salário mínimo em Espanha vai subir aos 900 euros, porque, diz o primeiro-ministro, “um país rico não pode ter trabalhadores pobres”. Mas todos os países os têm. E Portugal até está entre os piores

Texto Elisabete Miranda Infografia Carlos Esteves

Pedro Sánchez, primeiro-ministro espanhol, afirmou esta quarta-feira que “um país rico não pode ter trabalhadores pobres”, mas entre o desejo e a realidade o caminho ainda é longo. Em Espanha como em Portugal, ambas economias consideradas avançadas, ter um emprego e um salário no final do mês não chega para evitar que as pessoas caiam na pobreza.

O retrato da pobreza em Portugal foi atualizado há poucos dias pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e, embora por cá a situação esteja a melhorar em vários indicadores, a pobreza entre a população empregada continua a ser muito elevada. Ao todo, em 2017 9,7% dos trabalhadores encontravam-se em risco de pobreza, o que, traduzido em miúdos, significa que quase meio milhão de trabalhadores vive com menos de 468 euros por mês, fruto de trabalhos intermitentes e situações de precariedade.

Os números são de 2018/2017 e não permitem uma comparação com o resto da Europa, onde as estatísticas ainda não foram atualizadas, mas, se recuarmos apenas um ano, obtemos um retrato pouco abonatório para Portugal.

Há um ano, o risco de pobreza entre a população empregada era de 10,8%, o que colocava Portugal entre os seis países com a situação social mais delicada no seio da União Europeia. Ainda assim, a situação é menos grave do que em Espanha, onde o socialista Pedro Sánchez anunciou a maior subida do salário mínimo nacional desde 1977, dos 735,9 euros para os 900 euros.

A diferença nacional face aos parceiros europeus é especialmente acentuada nos casos de trabalho a tempo parcial, onde por cá o risco de pobreza atinge 31,5% dos trabalhadores, contra 15,8% na União Europeia (e 14,5% na zona euro), mas também existe nos casos de trabalho a tempo completo. Aqui, o risco de pobreza atinge 9,1% da população, o que compara com 8% na Europa a 29.

Os trabalhadores pobres (e é pobre quem ganha abaixo de 60% da mediana de rendimento, o que em 2018 perfaz os tais 468 euros por mês) têm ocupado vários economistas e académicos, mas em Portugal saltou para a agenda pública quando em 2015 o Governo de António Costa prometeu criar um complemento salarial anual para resolver o problema. A medida nunca chegou a cair nas graças do PCP e do Bloco de Esquerda, que consideram que seria uma forma de subsidiação de baixos salários e não chegou a avançar. Mas continua a agradar a alguns membros do Governo, nomeadamente a Mário Centeno.