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A tempo e a desmodo

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Henrique Raposo

Se o Ventura é o Benfica, eu deixo o Benfica

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Retardei ao máximo esta coluna, não queria dar destaque ao desventuroso tema. Mas, de facto, já chega. A agenda populista de André Ventura é uma criação da Cofina e do Benfica. A Cofina é livre para escolher o seu caminho editorial e político, mas o Benfica não é livre para escolher ou apoiar um caminho político. Vieira não pode continuar calado. O Benfica está a ser usado por uma agremiação política, que, ainda por cima, é a própria negação da identidade do Benfica. Quem celebra golos do Renato, do Gedson e do Eusébio não pode apoiar o Chega... perdão... o Basta.

O Benfica não é trampolim político de ninguém, muito menos de populistas e nacionalistas que põem em causa valores europeus. E recorde-se aqui que o Benfica é um grande clube europeu e mundial antes de ser um clube português. O Benfica é o clube da diáspora. O Benfica é o grande clube das classes mais pobres de Portugal, espaço social onde encontramos, adivinhem lá?, os negros, mulatos e ciganos. O Benfica é amado em Angola, Moçambique, Guiné, Cabo Verde. Ou seja, o Benfica não pode ser confundido com agendas nacionalistas. O Benfica é um clube mestiço.

André Ventura suja todos os dias o Benfica com esta instrumentalização política; Vieira suja ainda mais o Glorioso porque se cala perante essa instrumentalização

Ventura pensa que pode chegar ao Parlamento (europeu ou português) só porque é um conhecido cão de guarda televisivo do Benfica, ou melhor, da direção atual do Benfica. Isto é inaceitável. O Benfica, a começar no seu presidente, não pode continuar a pactuar com o arranjo. André Ventura suja todos os dias o Benfica com esta instrumentalização política; Vieira suja ainda mais o Glorioso porque se cala perante essa instrumentalização. Basta. Este pacto abjeto tem de acabar em nome do Benfica e, já agora, da democracia liberal e europeia.