TAXISTAS CONTRA A UBER

A manif dentro de um táxi

Trânsito caótico, escaramuças, palavras de ordem e buzinadelas. O dia mais longo em que os táxis viajaram a dez à hora, em Lisboa, no Porto e em Faro. Estivemos dentro de um táxi durante cinco horas - pode ver o resultado no vídeo ali em cima - e fazemos o resumo do dia no texto e nas fotos aqui em baixo

VÍDEO ANDRÉ DE ATAYDE TEXTO HUGO FRANCO FOTOS JOSÉ CARLOS CARVALHO, MARCOS BORGA, RUI DUARTE SILVA e TIAGO MIRANDA

6 perguntas (e respostas) sobre o protesto dos taxistas

Os motoristas de táxis estiveram nas ruas de Lisboa, do Porto e de Faro em protesto, numa marcha lenta contra a presença da Uber em Portugal - dizem mesmo que foi a maior manifestão “de sempre” do sector. Guia de perguntas e respostas para desvendar o que se passou esta sexta-feira nas três cidades.

1. Houve episódios de violência nos protestos dos taxistas?

FOTO RUI DUARTE SILVA

FOTO RUI DUARTE SILVA

Ao contrário do que se sucedeu em setembro do ano passado, em que se registaram algumas cenas de violência entre taxistas que participaram na marcha lenta em Lisboa, este ano os protestos foram pacíficos na capital. Mesmo durante o ponto mais tenso da marcha em frente à Assembleia da República, local onde, a meio da tarde, os motoristas ameaçavam não sair enquanto não fossem recebidos por responsáveis do Governo. Fonte do Ministério do Ambiente, que tem negociado com os taxistas, garante que foram as associações “a saltar fora das negociações e que estão abertos ao diálogo quando quiserem voltar”. Já no Porto, um motorista da Uber foi recolher um cliente junto Hotel Quality Inn e acabou alegadamente ameaçado, cercado e agredido por três taxistas. Em Campanhã, um motorista que guiava um carro topo de gama em frente à estação de comboios foi confundido com um Uber, sendo alvo da fúria dos taxistas.

2. Os condutores tiveram um dia mais complicado por causa das manifestações antiUber?

FOTO RUI DUARTE SILVA

FOTO RUI DUARTE SILVA

Sim, principalmente os que conduziram baixa de Lisboa e do Porto durante o período da manhã. Algumas artérias junto ao Parque das Nações, em Lisboa, também chegaram a estar congestionadas e cortadas ao trânsito.

3. Quantos taxistas saíram à rua nas três cidades?

FOTO TIAGO MIRANDA

FOTO TIAGO MIRANDA

Os números indicam que cerca de 5300 taxistas manifestaram-se em todo o país. Na capital, estima-se que tenham participado na marcha lenta perto de 500 carros. No Porto, a manifestação reuniu 400 veículos, o que equivale a metade dos táxis da cidade. Em Faro, 120 táxis concentraram-se junto ao Estádio do Algarve.

4. O que reivindicam afinal os taxistas?

FOTO MARCOS BORGA

FOTO MARCOS BORGA

“Uber ilegal é crime nacional.” Esta foi a palavra de ordem na manifestação promovida pela ANTRAL e Federação Portuguesa de Táxis. Carlos Ramos, o presidente desta associação, explicou: “Queremos que o governo tenha a coragem de pôr um travão a esta atividade ilegal desenvolvida pela Uber, uma multinacional que se instalou no nosso território em 2014 e que desde aí não respeita as leis da República e o Governo parece que se ajoelha perante eles. Esperamos um sinal por parte do governo de que está disponível a intimar a Uber a suspender a sua atividade. Julgamos que a população compreende agora melhor a nossa causa. Estamos também a lutar pelos interesses da população. Ninguém garante que a Uber — que está à margem de qualquer regulador — não passe a cobrar os preços que entender porque funciona à base da procura dinâmica”.

5. Que tipo de resposta deu a Uber a estes protestos?

FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

FOTO JOSÉ CARLOS CARVALHO

A empresa não fez comentários mas nem precisou. Esta quinta-feira à noite, a poucas horas da marcha lenta, uma sondagem revelou que a maioria dos lisboetas e portuenses (72,3%) aprova a Uber. Embora apenas 26,2% dos residentes em Lisboa e do Porto já tenham utilizado os serviços da Uber, a quase totalidade manifesta-se satisfeita com a experiência (68,8% classificam o serviço de muito bom e 25,3% de bom). Os resultados da sondagem tiveram grande feedback nas redes sociais, onde foi mostrada pouca solidariedade para com as causas dos taxistas.

6. O que dizem os autarcas nas cidades onde decorreram os protestos?

FOTO TIAGO MIRANDA

FOTO TIAGO MIRANDA

Em Lisboa, Fernando Medina mostrou-se “completamente solidário” com a luta dos taxistas. “O presidente está completamente solidário com a nossa luta. É um incentivo moral receber frases como as que nos endereçou”, garantiu o número um da ANTRAL, Florêncio de Almeida. No Porto, o guião foi semelhante.

À saída de uma reunião com Rui Moreira, um dirigente desta associação garantiu que o autarca mostrou-se “recetivo” e que se comprometeu a transmitir à tutela as preocupações do sector dos táxis. “Temos a sua solidariedade e esperamos que através da sua influência política consiga ter alguns resultados palpáveis. Acredito no presidente da Câmara enquanto homem e solidário com o sector.”