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Caderno 1 | Temas principais
A única coisa certa, além das mortes, é o esquecimento
Daniel pegou numa mangueira, chamou a prima e os dois deitaram-se no chão com a água a escorrer-lhes por cima. Ficaram assim, deitados ao lado um do outro junto a casa e com um jato de água por cima, à espera do fogo. A casa ardeu com o dinheiro todo deles lá dentro, mas eles viveram. “Foi um milagre.” Aconteceu-lhes em 2003, ano que os registos disponíveis dizem ser o mais grave de sempre em termos de área ardida. Eles resistiram em Oleiros, uma das áreas mais afetadas, tal como Mação - que vimos sofrer novamente esta semana. Esta é uma viagem ao passado que na verdade é ao presente para perceber como se reconstrói a vida depois de o fogo e as notícias se irem embora. E vai doer: “O fogo volta sempre”. O fogo volta sempre