Opinião
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Pedro Santos Guerreiropsg@expresso.impresa.pt

Opinião

Pedro Santos Guerreiro

Hay govierno. Soy contra?

Portugal está a viver um dos períodos mais bizarros de sempre. Não é só novo, não é só a mudança do sistema de poder partidária que pode suceder, ou a transmutação do que sempre foi no que afinal será. É a bizarria do fazer de conta que vamos dar posse a um governo que não será governo e não sabermos ainda quem afinal governará.

O insólito é um pássaro que está a voar entre o Palácio de Belém e a Assembleia da República e que acabará por poisar no Palácio de São Bento. Os partidos estão a encaixar-se formando um puzzle final que resultará das suas oposições, mais do que as suas posições. Passos Coelho, o mais votado, foi indigitado, tomará posse e cai em 15 dias. António Costa foi menos votado, estava dado como possível demissionário, é neste momento líder da oposição e daqui a 15 dias poderá encaminhar-se para primeiro-ministro.

SÓ UMA SOLUÇÃO ACEITE PELO POVO COMO LEGÍTIMA PODE PERDURAR. SE NÃO, NENHUMA, NADA, NEM UMA MEDIDA DIFÍCIL SERÁ ACEITE PELA RUA

Nesta quadrifonia que entretém loucamente os partidos, há uma legitimidade que não é formal, não é constitucional, não é sequer partidária, nem é de analistas nem de comentadores e que não pode deixar a primeira das legitimidades a respeitar – a legitimidade popular. Só uma solução aceite pelo povo como legítima pode perdurar. Se não, nenhuma, nada, nem uma medida difícil será aceite pela rua. E são tantas as que ainda falta cumprir que é impossível que mais tarde ou mais cedo se sucedam manifestações poderosas, como as de setembro de 2012, que derrubou a famosa medida de descida da TSU para as empresas em contrapartida de subida de TSU para os trabalhadores. E nenhuma crise social deixa de se transformar numa crise política.

O Parlamento só é a casa do povo se, além de sentar os representantes eleitos, os dispuser conforme a estrutura de poder determinada e portanto aceite pelo povo. Desconsiderar essa representatividade é esquecer que o país não se divide só entre esquerda e direita ou entre conservadores e liberais. Divide-se também entre a aceitação da derrota e o reconhecimento da vitória.

ALTOS

Luís Pacheco de Melo

Administrador financeiro da Mota Engil para a América Latina

O ex-administrador financeiro da PT foi contratato pela Mota Engil para administrador executivo da empresa na América Latina, anúncio que foi feito no próprio dia em que a empresa valorizava 5% em bolsa, muito por causa de um negócio no México no qual o novo administrador já esteve envolvido. António Mota não poupou encómios ao novo admistrador, dizendo que para si “não é questão” o facto de Pacheco de Melo ter sido administrador financeiro quando a PT fez o ruinoso investimeno de 890 milhões de euros na Rioforte.

Frederico Morais e Vasco Ribeiro

Surfistas

Os dois surfistas portugueses já inscreveram o nome da história do surf nacional, ao vencerem, respetivamente, o numero um e o número dois do ranking mundial, o australiano Mick Fanning e o brasileiro Adriano de Souza, na etapa portuguesa do campeonato mundial de surf, Moche Rip Curl Pro Portugal. É o surf luso na crista da onda mundial.

Miguel Oliveira

Motociclista

O piloto almadense de Moto3 soma e segue. Agora foi a vez de vencer o grande prémio da Malásia, o quinto que ganha este ano. Sagrar-se campeão mundial não será fácil (tem de vencer a próxima prova e o primeiro classificado, Danny Kent, tem de ficar até ao 15º lugar), mas no desporto de duas rodas Miguel Oliveira já provou que está aí para as curvas.

BAIXOS

José Ribeiro

Diretor do “Jornal de Angola”

No editorial que assina no “Jornal de Angola”, o articulista critica duramente o embaixador português em Luanda por ter visitado o ativista luso-angolano Luaty Beirão, há 37 dias em greve da fome, falando em “ingerência desabrida” portuguesa nos assuntos internos angolanos. Os considerandos que fez - quer sobre Portugal quer sobre Luaty - e o tom com que o fez são lamentáveis, para dizer o mínimo.

José Mourinho

Treinador do Chelsea

O “Special One” parece estar em apuros. Este fim de semana voltou a perder, por 2-1, em casa do West Ham, pelo que o seu clube já soma cinco derrotas em dez jogos na Liga inglesa. Na imprensa britânica já começam a ser avançados nomes sobre prováveis substitutos de Mourinho.

Jorge Tomé

Presidente do Banif

O Banco Internacional do Funchal é aquilo que se costuma dizer um “berbicacho”, por causa dos ativos que devia ter vendido e não vendeu, do capital que não consegue reforçar, do papel do Estado (que detém 60,5% do capital), da desvalorização que parece imparável. Em queda há uma semana, as ações do banco voltaram hoje a cair, para um mínimo histórico - já só valem um quarto de cêntimo, o que põe o Banif a valer pouco mais de 100 milhões de euros.

José Cardoso