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POLÍTICA

PS disponível para agendar audição do CEME sobre Tancos, mas com “ses”. CDS desconfia

Foto Marcos Borga

Foto Marcos Borga

Continua o impasse em torno da ida do chefe do Estado-Maior do Exército ao Parlamento

Texto Miguel Carrapatoso

Mais um episódio do braço de ferro em que se transformou a ida de Rovisco Duarte, chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), ao Parlamento, por causa das alegadas discrepâncias em relação ao material furtado em Tancos. Depois de ter sido acusado de estar a tentar boicotar os trabalhos da Comissão de Defesa, o PS entregou um requerimento em que convida os restantes grupos parlamentares a reunir o quanto antes para agendar a audição do general. Com uma condicionante: que a audição de Rovisco Duarte aconteça no mesmo dia que as audições de Graça Mira Gomes e de Helena Fazenda, secretária-geral do SIRP e secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, respetivamente - algo que dificilmente acontecerá. O CDS interpreta esta exigência do PS como mais um expediente para travar a audição de CEME e espera que tudo fique resolvido até quinta-feira - mas a ameaça de recorrer a Eduardo Ferro Rodrigues mantém-se.

No requerimento que Ascenso Simões, coordenador do grupo parlamentar do PS para a área da Defesa, fez chegar à Comissão, a exigência dos socialistas é clara: “Vem o grupo parlamentar do PS solicitar a reunião urgente e presencial da mesa com os coordenadores dos grupos parlamentares, com o objetivo de se promover uma discussão ponderada sobre a urgência dos agendamentos indicados e que só podem acontecer, como facilmente se entende, todos no mesmo dia e em horas a combinar com as personalidades indicadas”.

Ora, acontece que pelo menos Helena Fazenda já tinha feito saber aos deputados que não terá disponibilidade de agenda para ir ao Parlamento nos próximos dias. Aos olhos do CDS, este novo pedido de reunião (“urgente e presencial”) só vem atrasar o processo e hipotecar as hipóteses de ouvir a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna ainda antes de 31 de julho. Os democratas-cristãos vão mais longe e unem as duas pontas: se o PS, mesmo sabendo antecipadamente que Helena Fazenda já não tem disponibilidade para ir ao Parlamento, insiste em ouvir os três no mesmo dia, está, na verdade, a atirar a audição de Rovisco Duarte para setembro.

Foto Tiago Miranda

Foto Tiago Miranda

A questão vai ser debatida na reunião desta quinta-feira entre os coordenadores dos grupos parlamentares e o presidente da comissão parlamentar de Defesa, Marco António Costa, e a expectativa é de que seja possível chegar a acordo. Para já, no entanto, ninguém quer antecipar cenários.

“Estamos absolutamente disponíveis para ouvir as três entidades até 31 de julho”, garante ao Expresso João Rebelo, deputado do CDS. Uma fonte da bancada do PS fala em “disponibilidade total”, mas insiste na nuance: os três têm de ser ouvidos no mesmo dia. “O PS aguarda a reunião de coordenação com disponibilidade total para se marcarem as audições, ainda esta semana, mas todas no mesmo dia”, salvaguarda um deputado socialista ouvido pelo Expresso.

Na terça-feira, o Expresso dava conta do impasse que tomou conta da comissão de Defesa em torno da audição do CEME, com troca de acusações de “chicana política” e de “tentativas de branqueamento” à mistura entre socialistas e democratas-cristãos. Nuno Magalhães, líder parlamentar do CDS, ameaçou mesmo a recorrer a Ferro Rodrigues caso o PS continuasse a “boicotar” os trabalhos. Sendo que os democratas-cristãos não excluem a hipótese de avançar com uma comissão de inquérito ao caso de Tancos, que pode abranger aquilo que dizem ser a tentativa do PS para travar a reunião com o CEME.