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Lisboa. Candidatas do PSD fazem oposição alternativa: “Leal Coelho comporta-se como o nono vereador do PS”

Foto Tiago Miranda

Foto Tiago Miranda

Candidatas que estavam em terceiro e quinto lugar nas listas para Lisboa acusam vereadores do PSD de colaborar com Medina. E ironizam: “Dizer que fazem oposição ao PS é como dizer que o Governo de Vichy fazia oposição construtiva ao Hitler”

Texto Mariana Lima Cunha

Candidataram-se nas listas do PSD a Lisboa e até deram uma “tolerância” de um ano à vereação liderada por Teresa Leal Coelho para que mostrasse o que valia. Mas estão fartas de ver um PSD “vazio”, com ”posições ambíguas” e “total incapacidade” de fazer oposição a Fernando Medina. É por isso que Sofia Vala Rocha, que nas últimas eleições autárquicas foi a quinta candidata dos sociais-democratas à Câmara de Lisboa (CML), e Margarida Saavedra, a terceira, querem tomar as rédeas da oposição ao autarca do PS.

Esta semana, ambas lançaram, sem a publicitar, a página de Facebook “Lisboa a Rolar”, que serve para partilhar notícias relativas à CML, críticas a Fernando Medina - mas também a Assunção Cristas - e visões alternativas sobre as decisões da Câmara. E não ficam por aqui: a intenção é também ir ao encontro dos lisboetas, a lugares da cidade onde sejam detetados problemas, fazendo até “pequenas reportagens” para divulgar os assuntos. No fundo, ações que, acreditam, deviam estar a ser tomadas por Teresa Leal Coelho e João Pedro Costa, o outro vereador do PSD, que nestas autárquicas caiu para a terceira força autárquica em Lisboa, atrás do CDS.

“Criámos a página para fazer oposição a Fernando Medina, já que ninguém a fazia”, explica Sofia Vala Rocha, em declarações ao Expresso.“Em muitas situações, Teresa Leal Coelho comporta-se como o nono vereador de Medina”. Isto porque o PS elegeu oito vereadores nestas eleições e, para conseguir maioria absoluta, precisaria de mais um, o que conseguiu assinando um acordo com o Bloco de Esquerda. O problema, denuncia Vala Rocha, é que quando o BE se recusa a viabilizar propostas do PS, Medina conta com o PSD. Aconteceu, defende, em temas tão emblemáticos como a proposta de concessão a privados do Teatro Maria Matos, os planos de Medina para a zona de Entrecampos (conhecidos como Operação Integrada de Entrecampos) ou a designação do vereador socialista Manuel Salgado como responsável pela SRU (Sociedade de Reabilitação Urbana, responsável por parte das obras em Lisboa). E se os vereadores chamam a isto uma “oposição responsável”, Vala Rocha ironiza: “É como dizer que o Governo de Vichy fazia oposição construtiva ao Hitler”.

Queixa chegou à concelhia

Para Vala Rocha e Saavedra, a vereação do PSD “não só não faz oposição [ao PS] como o ajuda lhe dá a mão em opções estruturantes, o que resulta em situações lesivas” e contrárias à “orientação natural” do PSD. Um problema de “conivência” que dizem ter sinalizado ao presidente da concelhia, Paulo Ribeiro, por uma questão de lealdade. Mas, por falta de soluções e perante os eleitores que lhes pedem “todos os dias” que “façam alguma coisa”, decidiram “assumir a responsabilidade” de fazer uma espécie de oposição alternativa a Medina antes de que possam perder mais eleitorado para o CDS.

Se agora considera que o PSD em Lisboa está “praticamente ao nível da irrelevância” e funciona como “muleta do PS”, Vala Rocha já tinha dias antes das eleições autárquicas apontado a Teresa Leal Coelho uma “completa incapacidade” para representar os sociais-democratas. E diz ter a certeza de que este trabalho será “valorizado nas próximas autárquicas”. “Se os vereadores não estão interessados em fazer oposição, problema deles”.

Contactado pelo Expresso, o vereador do PSD João Pedro Costa diz não conhecer a página de Facebook em causa mas defende que a oposição do PSD é “coordenada, responsável e natural”, assumindo que por vezes é preferível procurar “consensos políticos alargados”. Mas rejeita as acusações de quem o descreve como “colaborante” com o PS. “Em qualquer partido podem existir divergências. Mas temos de superar essas pequenas diferenças”, sintetiza.