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Ricardo Costa

Opinião

Ricardo Costa

Rui Rio não tem medo. Mas isso adianta o quê?

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Ainda faltam uns meses para o fim do ano, mas o “estou cheiinho de medo...” de Rui Rio já estará no top-10 das frases políticas do ano que convém guardar. Parece óbvio que a frase vai servir a jornalistas, comentadores e outros políticos. Mas não se percebe é que utilidade ela tem para Rui Rio?

Não há ninguém que acompanhe a atualidade nacional que não tenha Rui Rio como alguém sério e corajoso. Também não há ninguém que ache que ele recue numa ideia por estar sob pressão. Pelo contrário, todos sabem que se há coisa que anima o líder do PSD é uma boa guerra, externa ou interna tanto faz. O seu “cheiinho de medo” vem nessa linha, o que até pode ser bom para aumentar a confiança do líder e dos seus mas que se esgota no mesmo instante.

Um partido não precisa de estar blindado e coeso para fazer bons resultados. Há casos de sobra a mostrar o contrário. Mas quando as guerras internas se transformam quase na única coisa que existe, aí sim, há um problema grave. Talvez para a próxima seja melhor Rui Rio suspirar e deixar o “cheiinho de medo” só em pensamento

A tarefa de Rui Rio é muito difícil por várias razões. Mas não vai melhorar se o líder insistir em dar troco aos críticos ou mesmo em espicaçá-los, como fez no fim de semana na TSF. Esse processo de ataque-e-resposta até pode ser curioso para quem o vê de dentro do partido, mas é um pouco penoso para quem assiste de fora. E é com isso que Rui Rio se devia preocupar. Rui Rio e, já agora, os críticos, caso tenham algum sentimento pelo PSD.

Um partido não precisa de estar blindado e coeso para fazer bons resultados. Há casos de sobra a mostrar o contrário. Mas quando as guerras internas se transformam quase na única coisa que existe, aí sim, há um problema grave. Talvez para a próxima seja melhor suspirar e deixar o “cheiinho de medo” só em pensamento.