
Chamem-me o que quiserem
Henrique Monteirohmonteiro@expresso.impresa.pt
Procurador do Meco: o direito ao bom nome
Não conheço nem nunca tinha ouvido falar do Procurador Moreira da Silva, encarregado de investigar o que se passou na fatal noite em que na praia do Meco morreram seis estudantes. Mas o que se passou depois sempre me pareceu (e escrevi-o aqui) uma caça às bruxas em que se procurou um culpado – o chamado ‘dux veteranorum’ da Universidade – e um desleixado – o procurador Moreira da Silva.
Agora sabe-se que o magistrado do MP decidiu processar cinco familiares das vítimas, um advogado do caso e ainda alguns jornalistas e comentadores. Os familiares têm a atenuante do choque que sofreram ao morrer um ente querido. Não há pior dor do que essa. Mas o advogado, os jornalistas e os comentadores não têm (ou não deviam ter) qualquer preconceito sobre o processo. Por muito que se seja contra as praxes (e eu, como qualquer pessoa sensata, acho que a maioria delas são idiotas, achincalhantes e humilhantes), não se pode deduzir que o seu organizador é, necessariamente, responsável pela morte daqueles que participam em tais praxes. Por muito que se queira condenar alguém, não se pode acusar sem indícios sólidos um magistrado de ter mentido, como fizeram algumas destas pessoas agora acusadas.
Também aqui acrescento que um magistrado não deve acusar quem apenas manifesta uma opinião. Mas tem o direito de defender o seu bom nome, para mais sendo magistrado, quando é acusado de um crime – neste caso ter mentido em foro de Justiça.
Infelizmente parece-me que muitos comentadores e jornalistas não entendem que na Justiça há sempre duas partes. E ambas as partes, na maioria dos casos, entendem ter razão. Também nem sempre aquilo que parece é.
Mas a Justiça tornou-se num daqueles terrenos em que todos cuidam ter uma palavra a dizer. Em boa parte por culpa dos magistrados, que se refugiam demasiado no chamado ‘segredo de Justiça’ e numa linguagem por vezes incompreensível. Mas, em parte, também por culpa de advogados que querem ter o seu momento de glória, os seus 15 minutos de fama na televisão, e por jornalistas que confundem o escrutínio da sociedade e suas instituições, que é uma das mais nobres missões do jornalismo, com a acusação de alguém para, através do sensacionalismo, da exploração de sentimentos, ganharem a atenção que entendem merecer.
Não sei quem tem razão neste caso. Mas acho bastante provável que o chamado ‘dux’ não tivesse a menor intenção de matar os colegas nem de lhes provocar qualquer dano. Mais: ele não pode ser responsável por atos que outros cometem de livre vontade, tratando-se, como se tratou, de pessoas com maioridade. Sempre achei que o desfecho lógico seria aquele que acabou por ser – o arquivamento do processo.
Haverá quem não se conforme (e repito que para as famílias é duro não haver quem possam responsabilizar, uma vez que descarregar as culpas em alguém é sempre uma forma de ajudar a superar uma crise). Mas uma coisa é não nos conformarmos, outra é colocar-se o bom nome de alguém em causa para conseguir audiências ou por acreditarmos num advogado que nas declarações que fez não mostrou possuir a razoabilidade que é exigida a qualquer causídico.
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Amanhã
LISBOA
Faça um intervalo no seu conhecimento
A Cinemateca Portuguesa inicial o ciclo “Intervalo para o Conhecimento“, uma iniciativa da Sociedade Nacional de Belas Artes. Um convite à divulgação e ao debate sobre a produção académica dentro das áreas artísticas. Poderá contar com a presença de investigadores e autores de teses universitárias que apresentarão as suas publicações num contexto não académico. O objetivo é o de promover a partilha de ideias. A partir das 18h30 na sala Dr. Félix Ribeiro, a entrada é livre.
PORTO
O Porto dá-lhe música
Inserido no festival Outono em Jazz, conte com a presença de Anthony Joseph e dos Funky Bones Factory na Casa da Música a partir das 21h. O músico Anthony Joseph apresenta o seu mais recente disco “Time”, uma mistura de jazz e de funk. Se preferir dançar ao som de groove,junte-se aos Funky Bones Factory numa mistura de sons de guitarra, trombone baixo e bateria. Os bilhetes diários custam 11€.
TEATRO
Vá ao teatro
Esta quarta-feira estreia a peça de teatro “Território” no Teatro do Bolhão, no Porto. Com encenação de Joana Providência e a partir da criação da obra de Alberto Carneiro, a peça exalta a relação vivida com a natureza. Pode assistir de quarta a sábado às 21h30 ou domingos às 16h
LISBOA
Noite de Fados no Chiado
Para comemorar o 18º aniversário do Centro Nacional de Cultura, o Chiado reúne este mês uma série de eventos gratuitos. Esta quarta-feira é noite de Fados no Hotel do Chiado com o fadista Hugo Prazeres, a partir das 20h30.