Justiça
Pedro Dias: 25 anos de cadeia e nem um sinal de arrependimento
Pedro Dias matou três pessoas e foi condenado a 25 anos de prisão, a pena máxima em Portugal Foto Nuno André Ferreira / Lusa
O homem condenado pela morte de três pessoas ouviu esta quinta-feira a sentença em silêncio e nem quando o juiz lhe perguntou se tinha percebido o que estava a acontecer disse uma palavra
Texto Amadeu Araújo
No dia em que a sua liberdade estava a ser decidida no tribunal da Guarda, Pedro Dias ficou na prisão de Monsanto, na zona de Lisboa, a 317 quilómetros da sentença. Alegou questões de saúde e assistiu por videoconferência ao acórdão que lhe determinou a pena máxima de 25 anos de cadeia. Ao longo da sessão, nunca reagiu e permaneceu sempre impassível nas quase duas horas de leitura da pena.
Pedro Dias foi condenado em cumulo jurídico a 25 anos de prisão por três crimes de homicídio agravado e consumado e um outro na forma tentada. Foi ainda sentenciado por três crimes de sequestro, um de roubo e outro de ofensas à integridade física. E terá de pagar no total 400 mil euros de indemnizações aos familiares das vítimas.
A leitura da sentença decorreu sob fortes medidas de segurança e com a sala de audiências lotada. No final, o juiz presidente, Marcos Gonçalves, sublinhou a clareza da sentença e perguntou a Pedro Dias se tinha percebido. O arguido, ladeado por um guarda na cadeia de alta segurança de Monsanto, acenou com a cabeça em silêncio. O total dos crimes somava 104 anos e oito meses.
Já fora da sala de audiências, militares da GNR que ali estiveram fardados a ouvir o acórdão e familiares das vítimas aceitaram as penas. “É uma pena dura e havia de a cumprir toda”, disseram os parentes de Liliana Pinto, uma das três vítimas mortais de Pedro Dias. João Matias, advogado da família, considerou os crimes “cruéis e fúteis” e mostrou agrado com a sentença. Já Maria de Fátima, mãe de Liliana e sogra de Luís, o casal baleado durante a fuga do homicida, lamentou a ausência de Pedro Dias. “É manhoso. Não lhe perdoo. Jamais em tempo algum”, afirmou. Também Pedro Proença, que representava os militares da GNR, ficou agradado com a sentença decretada a “alguém incapaz de sentir culpa”.
Advogada de defesa vai ponderar se avança para recurso
Os crimes de Aguiar da Beira ocorreram a 11 de outubro de 2016 e valeram a Pedro Dias uma acusação de três crimes de homicídio qualificado sob a forma consumada e outros três crimes sob a forma tentada, dois dos quais foram considerados não provados. Mónica Quintela, advogada de Pedro Dias, garantiu que vai ler o acórdão e ponderar recurso.
Como o tribunal agravou a qualificação dos crimes de homicídio, Pedro Dias não poderá sair em liberdade antes de cumprir dois terços da pena, em 2034. Ou antes, se eventuais recursos ditarem redução da pena.
Mas para beneficiar da saída com dois terços da pena cumprida, Pedro Dias terá de ter um comportamento exemplar. Caso contrário, só sairá com 5/6 da pena.
Faltam as custas judiciais, “que são elevadas”, adiantou o advogado João Paulo Matias, e que no processo cível podem ser imputadas aos familiares que requerem indemnizações. Mas sobre isso o tribunal nada disse.